29 janeiro 2007

Nossa atual Laodicéia (parte 5)

3 – A Doutrina da confissão positiva dá mais valor à palavra falada do que às Escrituras.
Onde fica a luta de reformadores como Lutero? Muitos foram aqueles que lutaram para que hoje tivéssemos a Palavra de Deus em nossas mãos. Muito sangue foi derramado para que pudéssemos ler as Escrituras sem a interferência da vontade humana. Onde fica o princípio da “Sola Scriptura”? A Bíblia deixou de ser relevante para as nossas vidas? Creio firmemente que não e os textos bíblicos confirmam isso - Sl 19:7-11; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; II Tm 3:16-17.
Amado irmão, se precisássemos apenas falar e declarar para que as circunstâncias adversas fossem resolvidas e vivêssemos rica e abundantemente sem problemas, então qual a razão da Bíblia dar tanta ênfase a suportar o sofrimento? Se Paulo tivesse o poder de parar de sofrer decretando, então como foi que ele teve que ficar com o espinho na carne? Deixemos de incoerência e vivamos a verdade da Palavra do Senhor!
“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”. II Co 12:10.
4 – A Doutrina da confissão positiva dá um conceito simplista da fé cristã.
O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz, da renúncia, do arrependimento, do nascer de novo. O cristianismo de hoje é um cristianismo sem cruz, sem sacrifícios. Gosto de dizer que é o “evangelho boa vida”, evangelho “não-faça-nada-e-ganhe-tudo”. Esse não é o evangelho de Cristo. Basta vermos alguns textos para comprovar o que estou dizendo – Jo 3; Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; Gl 6:12; Mt 3:8; Lc 5:32; II Pd 3:9, etc.
5 – A Doutrina da confissão positiva não tem o respaldo na História da Igreja.
Fico imaginando Lutero ou Calvino orando da seguinte maneira: “Eu decreto que a partir de hoje o papado vai morrer, reivindico que todos os inimigos do evangelho sejam transportados para o inferno. Declaro explicitamente que não mais haverá mais heresias e que os inimigos da cruz de Cristo vão desaparecer da face da terra. Está decretado em nome de Jesus!”
Essa oração nunca aconteceu. Dentro da História da Igreja não se tem notícia de coisas absurdas como essa. Será que todos os grandes homens de Deus estavam enganados a respeito de sua fé? Quando examinamos biografias diversas dos homens de Deus, seja de quem for, notamos uma única nota coerente em todos: Verdadeira humildade. Todos foram humildes em afirmar a soberania de Deus e a fraqueza do homem. Agora, o homem quer mandar em Deus? Meus amados somos servos e não senhores. E basta para nós sermos apenas servos.
Conclusão: Estude a Palavra e não fique por ai repetindo, como papagaio, aquilo que você escuta na televisão. É muito fácil pregar heresias. É muito prático dizer um “abracadabra” evangélico para que tudo se resolva. Difícil é estudar com afinco as Escrituras, passar horas debruçado sobre as páginas santas desse livro. Buscar de Deus o verdadeiro sentido da vida. Entender as verdades centrais desse livro, no entanto, é mais imprescindível.
Como a Igreja do Senhor está precisando de bereanos hoje em dia. Você quer ser um deles? Oxalá que sim! Deus o abençoe.
NOTAS:
(1) A Sedução do Cristianismo, pg 268.
(2) Retirado da Internet - http://br.geocities.com/ipnatal
(3) Revista Eclésia, Ano V, Nº 67, Junho de 2001, pg 26.
(4) A paz Interior, pg 14-15, 8 a . edição, Record, Rio de Janeiro - 1979.
(5) Linhares, Pg. 16, 18.
(6) Somos Deuses? P. 28
(7) Bíblia de Genebra, p.732

Nossa atual Laodicéia (parte 4)

Bom, devido a muitas solicitações, retornarei ao assunto “nossa atual Laodicéia”, desta vez abordarei a questão “maldição”, “pragas lançadas”... Haveria poder em nossas palavras?
Na verdade não digo EU abordarei, mas o pastor Antônio Pereira da Costa Júnior... Resolvi colocar aqui, com algumas pouquíssimas adaptações, um texto encontrado no site www.monergismo.com (Por falar nisso... O site é p-e-r-f-e-i-t-o!), resolvi postá-lo devido ao fato de que esse senhor tem bem mais autoridade para falar do assunto do que este pobre e leigo mortal que vos escreve, visto que o mesmo, PARAIBANO e atualmente pastoreando em Pernambuco, já tem um bom tempo na área de apologética, além de pertencer a uma denominação muito respeitada por mim (Congregacional)... Sendo assim, eis o apoio (apesar de não sabido pelo mesmo) do pastor ao nosso blog:
Há realmente poder em nossas palavras?
por
Antônio Pereira da Costa Júnior
Há alguns dias entrei numa livraria evangélica. Olhando as novidades, vi, estupefato, que as obras que estavam à vista eram aquelas que falavam sobre o poder inerente da língua. Como: “Há poder em suas palavras”, “Zoe: a própria vida de Deus”, “A sua saúde depende do que você fala”, etc.
Conversando com a atendente, perguntei sobre os livros que estavam mais escondidos, como por exemplo, os livros de teologia, de referências, de história da Igreja, etc. Ela respondeu-me que são livros que não saem das estantes, a não ser que algum pastor, professor ou seminaristas venham a adquiri-los. E disse-me que mais de 90% das pessoas que freqüentam a livraria só compram livros dessa “nova teologia”.
É lamentável que isto seja um reflexo da falta de conhecimento da Igreja hodierna. As pessoas não querem mais pesquisar a fundo o que se vende ou se escuta por ai. Só querem bênçãos, sem se importar com o abençoador. Querem as coisas de Deus, embora não pensem em conhecê-Lo.
Buscam o pão da terra, mas rejeitam o pão do céu. Nestas poucas linhas tentarei demonstrar que apesar de estar impregnada na Igreja como um todo, a confissão positiva é uma falha grave da chamada “teologia moderna”.
DEFININDO OS TERMOS
O que é o Movimento do Pensamento Positivo? É a crença em que o pensamento de uma pessoa é o fator primordial em relação às suas circunstâncias. Só em ter pensamentos positivos todas as influências e circunstâncias negativas serão vencidas.
E o Movimento de Confissão Positiva? É a versão cristianizada do pensamento positivo que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de ter fé em si mesmo. O simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça. (1)
O verbo decretar está sendo conjugado dia-a-dia pelas mais variadas denominações. Não são poucas as pessoas que usam o jargão evangélico: “Tá decretado!” Não faz muito tempo, as famosas frases de efeito no meio evangélico eram outras bem menos danosas para a fé cristã, como, por exemplo: “O sangue de Cristo tem poder”, “Tá amarrado!”, etc. – Claro que nem sempre usadas no contexto correto.
Mas, qual o motivo da frase “tá decretado” – e suas variações – estar errada? Não temos que reivindicar os nossos direitos junto ao Pai? Não somos filhos do Rei? As nossas palavras não possuem poder?
Para responder, sinceramente, a estas e outras perguntas, gostaria de dar algumas explicações do por quê não creio na assim chamada “confissão positiva”.
Devemos também lembrar-nos que o termo “decreto” pertence somente ao Senhor de Toda Glória, como bem falou Rubens Cartaxo Junior: “ Os Decretos eternos de Deus são exclusivos de Sua pessoa, fazendo-o desde a Eternidade - Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.9-10; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Lc 22.22; At 2.23; 4.27-28; 17.26; Rm 4.18; 8.18-30; I Co 2.7; Ef 1.11; 2.10; II Tm 1.8-9; I Pe 1.18-20. Estes textos demonstram que Deus tem um propósito, ou um plano, para o Universo que criou. Este plano existe antes da criação. É um plano sábio, de acordo com o conselho de Deus. Ninguém pode anulá-lo, pois é Eterno”. (2)
A “confissão positiva” é parte da “teologia da prosperidade”, tão divulgada e recebida pela Igreja brasileira. Esta doutrina vem sendo divulgada há alguns anos no Brasil, especialmente por R. R. Soares que é o responsável pela divulgação dos livros de Kenneth E. Hagin, principal expositor desta doutrina. Hagin diz que recebeu a fórmula da fé diretamente de Jesus, e mandou escrever de 1 a 4 esta “fórmula”. Com ela, diz, pode-se conseguir tudo. Consiste em:
(1) "Diga a coisa", positiva ou negativamente, tudo
depende do indivíduo.
(2) "Faça a coisa", o que nós fazemos irá
determinar a nossa vitória.
(3) "Receba a coisa", a fé irá dinamizar a ação
e Deus tem que responder, pois está preso
a “leis espirituais”.
(4) "Conte a coisa", para que outras pessoas
possam crer. Deve-se usar palavras
como: decretar, exigir, reivindicar,
declarar, determinar, e não se pode pedir
“se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.
Não são poucos os líderes que adotam e pregam essa doutrina. Como disse o próprio R. R. Soares em uma entrevista para a Revista Eclésia, quando perguntado se ele era adepto da teologia da prosperidade, ele respondeu:
“...Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento... A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso”. (3)
Para muitos, ganhar e ter dinheiro viraram sinônimos de vitória. E o que mais nos impressiona é a suposta “base bíblica” para defender seus devaneios. Um exemplo clássico é o texto de Filipenses 4:13 – que virou um moto na boca dos cristãos hodiernos – que diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” . Só que os adeptos da teologia da prosperidade ignoram por completo o contexto da passagem. Veja o que diz os versos 11 e 12: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.
Em outras palavras, Paulo nos diz que poderia passar por qualquer situação – fome, abatimento, necessidade, ter de tudo e não ter nada – pelo simples fato de que a sua força, em momentos de tribulação ou não, era Jesus Cristo.
Esse movimento pensa que a língua e a mente têm um poder que pode criar as circunstâncias ao nosso redor. Não é mais do que uma “parapsicologia evangélica”. Muito das coisas que os “doutores da fé” dizem são clones dos ensinamentos do poder da mente, muito explorado pelo Dr. Joseph Murphy anos atrás. Ele escreveu alguns livros como: “Como usar as leis da mente”, “Conversando com Deus”, “As grandes verdades da Bíblia”, “A magia do poder extra-sensorial”, “O poder do subconsciente”, dentre outros.
Vou apenas citar um trecho do livro “A paz interior”, do Dr. Murphy para vermos que se parece muito com os “doutores da fé”. Comentando João 1:5-7 ele diz: “As trevas referem-se à ignorância ou falta de conhecimento da maneira como a mente funciona. Estamos nas trevas quando não sabemos que somos o que pensamos e sentimos. O homem está num estado condicionado do Não-condicionado, com todas as qualidades, atributos e potenciais de Deus . O homem está aqui para descobrir quem é. Não é um autônomo. Tem a capacidade de pensar de duas maneiras: positivamente e negativamente.
Quando começa a descobrir que o bem e o mal que experimenta são decorrentes exclusivamente da ação de sua própria mente, começa a despertar do senso de escravidão e limitação ao mundo exterior. Sem conhecer as leis da mente , o homem não sabe como produzir seu desejo”. (4) (grifo nosso)
Vejamos ainda o que Jorge Linhares diz em seu livro: “Bênção e Maldição”, onde mostra um Deus dependente do homem, este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – “Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar à opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão...” (5)
SUPOSTA BASE BÍBLICA DA CONFISSÃO POSITIVA
Existem algumas supostas bases bíblicas que os defensores da confissão Positiva usam para defender esta doutrina, vamos dar apenas três passagens para não tomar muito tempo, no entanto, as demais passagens seguem basicamente esta linha de interpretação.
Marcos 11:22-23 – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.
Os defensores apregoam que o verso acima ensina que devemos ter a fé de Deus, ou seja, a confissão que gera as coisas. Declarar a existência de coisas que do nada virão a existir, podendo assim criar a realidade que quisermos.
O Pr. Jorge Issao Noda explica muito bem esta passagem em seu livro: “Somos deuses?”, ele diz; “Copeland editou uma Bíblia de referência onde este texto tem uma leitura alternativa: ‘Tende a fé de Deus'. Capps, Price, Hagin, são unânimes nesta interpretação. Hagin afirma, inclusive, que ela está de acordo com a visão dos eruditos em grego. O texto diz: echete (tende) pistin (fé) theou (de Deus). De Deus? Então Deus tem fé! Sendo assim, os mestres da Fé têm razão. Os cristãos, através dos séculos, estiveram interpretando erroneamente este texto. Xeque-mate? De maneira nenhuma. Robertson, um dos maiores eruditos em grego, afirma que o texto deve ser traduzido para ‘tende fé em Deus' porque se trata de um genitivo objetivo. Neste caso Deus não é o sujeito da fé (fé de Deus), mas o objeto da fé (fé em Deus). Os eruditos em grego maciçamente concordam com Robertson, contrariando a afirmação de Hagin”. (6)
Temos que ter fé em Deus, essa nossa fé em Deus é que faz com que os montes que enfrentamos a cada dia sejam superados, não pelo poder inerente à fé, mas no poder inerente ao doador da fé, ou seja, o nosso Deus. Sem essa fé não venceremos, mas com Ele somos mais do que vencedores.
Provérbios 6:2 – “E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”.
Este texto, dizem, significa que o poder de não passar por problemas está na língua. No entanto, Salomão está falando da pessoa que ficou por fiador de outro, como expressa o versículo anterior: “Filho meu, se ficasse por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. (grifo nosso)
A Bíblia de Genebra explica o termo “enredado”: “Pedir dinheiro emprestado é uma coisa, mas prover segurança para outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo”. (7)
Provérbios 18:21 – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.
Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores.
Para uma compreensão melhor do que eu quero dizer, deixe-me mostrar-lhes algumas implicações práticas sobre a Confissão Positiva. Se você crer nesta doutrina, então terá que desconsiderar aquilo que eu irei falar a seguir. Mas se você quer ponderar o assunto, leia com atenção as frases seguintes.
IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DE SE CRER NA DOUTRINA DA CONFISSÃO POSITIVA
Citaremos algumas implicações preocupantes que comprovam a periculosidade desta doutrina para os cristãos mais desavisados:
1 – A Doutrina da confissão positiva aniquila a Soberania de Deus.
Deus não depende das palavras dos homens para agir. Deus é e sempre será Soberano. Soberania é o atributo pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn 14:19; Ne 9:6; Ex 18:11; Dt 10:14-17; I Cr 29:11; II Cr 20:6; Jr 27:5; At 17:24-26; Jd 4; Sl 22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).
Já imaginou um Deus que depende do homem para agir? Com certeza Ele entraria em enrascada se estivesse sujeito às oscilações da vontade humana. Eu mesmo não queria um Deus desse tipo. Prefiro o Deus da Bíblia que “tudo faz como lhe apraz”. (Sl 115:3).
2 – A Doutrina da confissão positiva enaltece ao homem.
Quando entendemos biblicamente quem na realidade é o homem, ficamos sobremaneira conscientes de nossas falhas e limitações. Quanto mais a confissão Positiva enaltece o homem, mais eu vejo o seu erro. A Bíblia nos mostra claramente que o homem nada é comparado ao Senhor nosso Deus.
A Bíblia retrata como na verdade é o homem (Ezequiel 16:4-5; Is 1:6 Rm 3:10-18; Sal 51:5; 58:3; Is 48:8; João 5:40; Rm 1:28; 3:11, 18; II Pedro 3:5; Rm 8:8; Jr 13:23; João 6:44-45; Rm 8:6-8; Ef 4:18; Rm 1:21; Jr 17:9).

24 janeiro 2007

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ OU PELAS OBRAS?

Justificação... Pela fé somente ou por obras? Que dizer a respeito do ensino de Tiago sobre justificação? Estariam certos nossos amigos espíritas, quando dizem que “fora da caridade (colocada aqui como as obras citadas por Tiago) não há salvação? Quando comparamos o que Tiago disse no capítulo 2 de sua carta, dos versos 14 a 26, com o que Paulo ensinou sobre justificação, parece haver uma contradição entre os dois.
E agora? Estariam certos nossos amigos céticos revelando “mais uma” contradição nas Escrituras? Observemos:
Gl. 2:16: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
Vejamos Tiago:
Tg. 2:14-26: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o crêem e estremecem.
Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem obras é morta? Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque?
Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.
Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?
Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."

E então? Estes textos têm quebrado a cabeça de muitos cristãos que crêem na justificação pela fé somente, também têm feito a cabeça de muitos outros que crêem na justificação pelas obras, defendendo que aqui Tiago combate os ensinos de Paulo (também acreditando em ensinos contraditórios na Bíblia ou como sendo o livro de Tiago não canônico) ou, no mínimo, o entendimento de Paulo quanto à justificação; enquanto a outra corrente não crê em uma contradição, e sim que os textos lidam com problemas diferentes.
Como é de comum acordo que Romanos foi escrito depois de Tiago, a solução mais óbvia seria a de que Paulo e Tiago falam de questões diferentes.
O contexto em que Paulo escreve era o do combate ao pensamento de confiar na guarda da lei para salvação; então Paulo ensinava que a pessoa era justificada pela fé à parte das obras da lei – ou seja, uma tentativa de comprar a salvação por meio das próprias obras.
A teologia paulina crê que as obras são uma conseqüência da liberdade conquistada espiritualmente, e não resultado do temor de uma provável punição imposta pela lei, além de uma enganadora promessa de recompensa, obras estas à parte da fé e da graça.
As obras de fé são colocadas por ele como as que são feitas no espírito de liberdade e como sendo resultado direto da ação de Deus na vida dos seus, que foram justificados pela fé, entendendo que as obras da lei em nada contribuem para a justificação, pelo contrário, só vendam o entendimento do indivíduo, não permitindo a este observar-se como um injusto carente de justificação.
Agora observemos o contexto de Tiago: Indo de encontro ao pensamento de que uma crença meramente intelectual nas verdades do Cristianismo era suficiente para a salvação, o mesmo diz: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”(v.14), e já responde: “A fé sem obras é morta” (v.26) Note que as obras sobre as quais Tiago escreve não são as mesmas sobre as quais Paulo comentava, visto que o mesmo quando argumenta, sempre diz “obras da lei” ou “obras de lei”, quando diz que somos justificados não pelas obras (Rm. 3:20,28; Gl. 2:16). Já Tiago, quando fala de obras, as chama somente de “obras”, e não “obras da lei”.
Ao dizer que ninguém pode ser justificado por uma fé que não tem as obras da fé, Tiago está concordando com Paulo.
Mas e os versículos 21 e 24, onde Tiago diz que alguém é justificado pelas obras? Haveria contradição? Observemos aqui o sentido de “justificar”: Ao citar Abraão no versículo 21, o ponto que Tiago enfoca é que “pelas obras, a fé foi aperfeiçoada”; entenda: o ato (ou a obra) de oferecer Isaque revelava que a fé pela qual Abraão havia sido justificado era genuína, era a verdadeira fé.
Ou seja, o texto de Tiago aponta que tais obras são aceitas por Deus, mostrando que suas ações tem o tipo de fé viva à qual Deus imputa justiça... A justificação abordada por Tiago não é a aceitação original por Deus, mas a conseqüência da fé em sua vida, desta forma, tanto Tiago quanto Paulo querem dizer que uma pessoa é justificada pela fé operante, que revela ser verdadeira na obediência ao Pai, mostrada por meio de obras, sendo somente a fé que nos justifica, mas esta mesma fé vem acompanhada das nossas obras.
Enfim... Se você faz obras a fim de conquistar a salvação, ou se você se considera um salvo apesar de ter uma vida que é um lixo espiritualmente falando, como diria nosso Senhor: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. Ops! Digo: “quem tem olhos para ler, LEIA!”

05 janeiro 2007

Nossa Atual Laodicéia (parte 3)

Para tal questionamento ser respondido, vale perguntar: Qual o sentido do louvor? Para obter resposta, leia Hb. 13:15:

"Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam seu nome."

Um costume da atual Laodicéia, como já falei, é entronizar o homem no culto, ou seja, busca-se a igreja a fim de que sejam resolvidos seus problemas, a fim de que se esqueça dos estresses cotidianos, ou seja: A fim de que desopilemos (sobre desopilar, há uma historinha legal logo abaixo). Deste modo, vamos à igreja receber, e não oferecer, contradizendo o texto sagrado.
Mano, o louvor, como explicitado no texto de Hebreus, deve ser oferecendo a Ele, basta observarmos um pouco as letras que temos cantado para notarmos que não temos feito deste modo.

Outra parte do culto atual onde notamos a entronização do homem é na pregação. Quais os últimos temas que você recorda de ter ouvido? Corrija-me se eu estiver errado:
“Como Ser Vitorioso; Alcançando a Promessa; Nossa Herança; Tomando Posse; Saindo da Cisterna e Entrando no Palácio (nome bonito, heim?)” e por aí vai...
O pastor Ricardo Gondim, presidente da Assembléia de Deus BETESDA, quando esteve em Campina Grande em 2004 para o Encontro Nacional Para a Consciência Cristã, contou que, após uma pregação expositiva da Palavra em um culto dominical, uma irmã (com certeza acostumada a ouvir os sermões televisivos cheios de bênçãos e vitórias) foi até ele e reclamou: “pastor, desse jeito não dá, a gente vem pra igreja desopilar, esquecer dos problemas, e o senhor vem com uma pregação só cobrando, falando de tribulação e não-sei-mais-o-quê...”, ao que o pastor abruptamente respondeu: “amada, igreja não é lugar de desopilar, lugar de desopilar é shopping ou cinema, aqui Deus colocou-a para ter comunhão e se alimentar da Bíblia, e me colocou para pregar a Palavra, e farei esta missão, ainda que seja para uma igreja vazia”.

Velhinho, um dos maiores avivamentos da história da Igreja ocorreu nos EUA há aproximadamente dois séculos (aliás... Hoje os EUA sentem saudades do cristianismo real) e foi iniciado por um sujeito (Jonathan Edwards) que não pregou sobre prosperidade, tampouco sobre vitória terrena, mas, pelo contrário, pregou sobre a derrota do homem soberbo diante de Deus, visto que sua multidão de pecados o afastara continuamente da comunhão com Ele. O tema da pregação que mudou boa parte da Europa foi: “Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado”.

Se você observar bem como eram as pregações apostólicas, notará claramente que NUNCA qualquer um destes fala que pobreza é sinal de falta de comunhão, nenhum dos apóstolos menciona o fato de doença ser resultado de pecado (existem casos que sim, mas são exceções, e não regras), até pelo fato de que, aquele que é considerado o maior apóstolo (Paulo) sofria de uma doença que o afligia (provavelmente um problema de visão: ‘2Cor.12:7; At. 23:3,5; Gl. 6:11’), seu discípulo, Timóteo, sofria de males no estômago, estando constantemente enfermo (ITim. 5:23), não se vê relato qualquer na Bíblia de que estes tenham sido resultados de pecado... Ah, pegando um exemplo no Antigo Testamento, vejamos Eliseu.
Elias é conhecido como o homem mais ungido do Antigo Testamento, ressuscitou mortos, curou doenças, fez chover, fez descer fogo do céu, etc... Após sua assunção (ah, ele era tão fiel que, assim como fez com Enoque, Deus o tomou para si), a Bíblia relata que Eliseu recebeu o dobro da sua unção (2Rs. 2:9-11), logo, vemos que o homem não recebeu pouca coisa, heim? Com tanta unção, de acordo com as teologias “laodiceianas” pregadas atualmente, as doenças não chegariam nem na porta do vizinho deste homem, pior ainda na vida dele... É, o complicado é que o sujeito morreu doente, e não foi conseqüência de pecado não, visto que, segundo os pregadores que seguem tal teologia, quando estamos em pecado, Deus tira a mão de sobre nós e deixa de atuar em nossa vida – Se fosse esse o caso, o morto que fora jogado na cova junto a Eliseu não teria ressuscitado (2Rs. 13:20-21)! É, isto mesmo, Eliseu morreu doente, mas o morto que encostou no corpo dele ressuscitou! Estranho, não? Eu acho!

Não quero que me entendas errado, não prego uma vida de derrotas, mas sim uma vida de vitórias, mas as vitórias REALMENTE bíblicas, vitórias contra o pecado e as obras da carne, para isso Cristo nos chamou – Paulo diz em Fp. 4:13 (aliás, versículo altamente incompreendido) que ele conseguia passar POR TODAS as coisas (leia o versículo anterior e verá que ele fala que passou por abundância e por escassez, por saúde e por doença, por perseguição, etc, mas AINDA assim era fortalecido e crescia POR MEIO DISSO) – Podemos ser prósperos? Sim, O que não podemos é discursar que os que assim não são, vivem sob pecado e não estão abençoados pelo Pai; assim, o próprio Jesus andaria em desobediência, visto que “não tinha sequer onde descansar a cabeça”. Também não disse que sejamos doentes, digo que atacar os doentes jogando a culpa na espiritualidade destes, isto, sim, é pecado, pois implica em julgamento, do qual só o Senhor tem autoridade.

O que ataco, e o faço sem temor, é a atual doutrina demoníaca de que Deus é o nosso garçom, serve para nos servir e nós para desfrutarmos de suas benesses... Mano, se a vida terrena tivesse que ser um paraíso, não necessitaríamos de céu.


Espero que tenhas entendido um pouco mais do que tentei transmitir-lhe naquela noite. Apesar de breve e apressado, busquei resumir algumas de minhas “revoltas” com a atual Igreja, ainda faltaram inúmeros pontos, como a questão das maldições, as adorações proféticas, a declaração de posse sobre territórios, etc, mas creio que iniciei o seu processo de busca por um maior engajamento com a Palavra.
Seja um bereano, confira na Bíblia o que lhe dizem e o que digo aqui.
Seja um revoltado, se sua revolta for contra as heresias e o pecado.
Seja um revolucionário, se sua revolução for bíblica, pregando o Cristo e fazendo diferença no meio gospel em que grande parte dos jovens estão inseridos.


SUGESTÕES DE LEITURA:

SUPERCRENTES – Paulo Romeiro
Com Vergonha do Evangelho – John F. MacArtur Jr.
Evangélicos Em Crise – Paulo Romeiro
Somos Deuses? – Jorge Issao Noda
Pregação Cristocêntrica – Bryan Chapell

SUGESTÕES PARA VOCÊ NÃO LER:

Kenneth Hagin, Rebeca Brown, Benny Hinn, Oral e Richard Roberts, Pat Robertson, Paul Crouch, Kenneth Copeland, Francis e Charles Hunter… Ah, e a grande maioria dos campeões de venda das livrarias evangélicas.

Nossa Atual Laodicéia (parte 2)

Vamos analisar uma música muito cantada em algumas igrejas:

É a segunda música do CD TOQUE NO ALTAR, primeiro trabalho do Ministério Apascentar, agora chamado pelo mesmo título deste CD.:

Meu melhor a ti eu darei, pois dono de nada sou
Não importa o amanhã, se o futuro é somente teu


Até aqui tudo bem, mas...Qual sua motivação ao cantar ao Senhor? Pense... Louvá-lo pelo que Ele é? Pela salvação que Ele te deu? Pela sua misericórdia? Veja isto:

Minha motivação é saber que nada me faltará
pois eu sei que o meu Deus, em tudo me suprirá...

O meu coração se enche de gratidão pela tua fidelidade
por saber que as janelas do céu estão abertas
para que minha vida tenha maior provisão
O gafanhoto não tocará em nenhuma porção do que o Senhor preparou
para ser a minha herança

Agora me explica: ONDE essa música está louvando ao Senhor? É uma música para O HOMEM!

Sem falar na interpretação totalmente errônea das Escrituras, observe a última estrofe: O gafanhoto não tocará em nenhuma porção do que o Senhor preparou para ser a minha herança

Tá, mas Rm. 8:17 diz: “E se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;”
Bom, acho que você já ouviu isso em alguma pregação, e é justamente sobre isto que a música fala: Se somos filhos do Rei, somos príncipes, assim como Jesus, herdando também o tesouro de Jesus, que também é príncipe, deste modo, como diz a música, o gafanhoto (colocado aqui como o demônio) não poderá tocar na herança que tenho como príncipe e filho do rei: Toda a sorte de bênçãos materiais, por que não dizer: Toda a prosperidade que Ele tem a derramar sobre nossa vida... Algo errado? Não, o texto está afirmando isto, não está?
Mano, não sei se você se recorda que lhe disse para “ouvir tudo e reter o que é bom”, que deveria sempre indagar se o que lhe dizem é, na verdade, afirmação Bíblica ou pensamento humano (assim como esta carta), sendo assim, analisemos: A Bíblia realmente afirma que tenho uma herança de prosperidade, direito de príncipe, assim como a música e a teologia atual dizem, ou isso foi um erro de interpretação? Observemos o texto:

“E se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;” A questão é que a grande falácia das heresias é colocar um texto fora do seu contexto, construindo, assim, um pretexto para criar-se esta heresia. Quer ver? Leia o texto todo:
“E se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados. Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”


Deu pra clarear um pouco as idéias? Olha só: Note bem sobre o que o texto fala: Fala de uma herança, agora observe qual é esta herança... Achou? Isso mesmo: o texto não fala de bênçãos materiais como nossa herança, ou mesmo um reino terreno, mas de aflições!!! Hã? Como? O quê? É, velhinho... O texto diz claramente: o sofrimento que vocês passam hoje,um dia, na glória, vai terminar (observe que a glória será revelada um dia, e se você continuar a leitura, observará que ele fala de vida eterna quando trata da glória, e não uma glória terrena, como querem transmitir os neopentecostais adeptos das teologias da confissão positiva, entre outras).
Então, amigo... A herança do servo é a cruz de Cristo, basta lembrar o que Ele mesmo disse: “ quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” Mc.8:34 – Teologia totalmente contrária à transmitida pela atual Laodicéia, visto que nosso exemplo maior mandou que esquecêssemos de nós mesmos e carregássemos a cruz (o que significa sofrimento).
Então, mano... Esse lance de “por onde eu for a tua bênção me seguirá, onde colocar as minhas mãos prosperará...” cantada nos cultos de jovens hoje nas igrejas, não tem respaldo bíblico não, que o diga na Teologia de Cristo e dos apóstolos, pós-graduados em matéria de sofrimento pela Palavra.
Bom, nesse caso, como, e o que cantar?

Nossa Atual Laodicéia (parte 1)

Bom, como raramente coloco textos em um lugar que, pela lógica, deveria ter muito o que ler, resolvi aproveitar o que tiver escrito para enviar a este blog, a fim de que ele tenha material para, pelo menos, três minutos de leitura.
Hoje decidi postar um pequeno texto de uma pequena conversa... Há alguns dias (considerando-se que estamos em 04 de janeiro e essa conversa foi dia 25 de dezembro) conversei com um amigo sobre a igreja evangélica no Brasil e seus “impactos” nesta nação. Quando o mesmo começava a exaltar as inúmeras vantagens da multidão protestante no Brasil (se é que o que temos hoje pode ser chamado de protestante, tendo em vista nunca contestar nada que o mundo ou nós mesmos temos feito), passei a mostrar meu ponto de vista (levando em consideração que todo ponto de vista é a vista de um ponto, não coloco a minha como sendo a opinião correta, apenas busquei colocá-la em paralelo com a Bíblia, livro ao qual os evangélicos buscam seguir).
Então, deixando de enrolação e passando para o “vamos-ver”, transcrevi o pequeno estudo que meu amigo (ah, o amigo tem nome: Yuri) pediu para que lhe passasse, sendo este um mini resumo de alguns pontos que discordo na atual igreja (ah, Igrejas Neopentecostais, não se chateiem, mas tive que falar de muita coisa em que vocês crêem).


Para que entendamos a atual situação do evangelho no Brasil (sendo bradado por muitos como tendo conquistado a Nação, que “o Brasil é de Jesus”, “todo mundo tá virando crente”, etc), observemos um texto tantas vezes colocado fora da realidade que o apóstolo quis passar:

Ap. 3:20 : “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei ali, cearei com ele, e ele comigo...”

Cara, eu não sei você, mas EU aprendi que este texto é evangelístico, até já o utilizei bastante para dizer que “Jesus está do lado de fora do seu coração, batendo na porta dele e esperando que você abra (às vezes o povo fica com tanta pena do ‘coitado’ que vai e ‘aceita Jesus’ pra que ele entre e coma, pois, pelo teor da nossa explicação da situação dEle, Ele deve estar com muita fome e solitário, desesperado por amigos)...” Mas minha questão aqui não está no fato de ele estar pedindo para que o descrente abra a porta ou não, mas meu questionamento é: Foi este texto escrito para descentes?
Se o utilizamos para evangelizar, então estamos utilizando para descrentes, se utilizamos para descrentes, o texto deve ser escrito para descrentes, visto que não podemos transmitir a Bíblia como queremos que ela seja, mas como ela de fato é. Ou seja: Não podemos adaptar o texto à nossa vontade (ainda que nossa intenção seja a melhor, como, por exemplo, a conversão do ouvinte), mas este deve ser explicado dentro do seu contexto.
Sim, mas... Voltando à questão: O texto foi escrito para quem? Se você observar na sua Bíblia o título que sobrepõe o início do discurso ao qual o versículo 20 está submetido, notará que o texto está endereçado a uma igreja. Isto lhe diz algo? Se não lhe diz, eu explico: Mano, se o texto está direcionado a uma igreja, ele teve o intuito de admoestar, repreender, aconselhar, consolar, etc, mas não de evangelizar visto que, se é para a igreja, ela já foi evangelizada, compreendeu?
A questão agora é: O que esse texto quer dizer? Bom, se mudamos nosso entendimento sobre a quem é direcionado e partimos da premissa que é voltado à igreja, devemos mudar nossa compreensão sobre este. Mas... Se o texto não é para descrentes, se é para a igreja, qual o sentido de Cristo dizer que está do lado de fora?
Aí é onde está! AGORA entraremos de fato no estudo. A Igreja de Laodicéia, pelo texto, mostra-nos um ESPELHO do que tem sido a atual igreja evangélica no Brasil (não digo no mundo por não conhecer a situação em outros países, mas com certeza a situação não é a mesma nos lugares onde há perseguição ao Evangelho).
A partir de agora, trataremos a atual igreja como Laodicéia, visto serem gêmeas, apesar do tempo que as separa. A Igreja de Laodicéia utiliza na sua liturgia um atributo bem conhecido, o chamado culto antropocêntrico. Observe as características principais:

Culto transferido: O entronizado não é mais Cristo, mas o homem. Como assim?

1• LOUVOR – Em sua maioria, a igreja abandona a adoração e entroniza o homem, saindo do “Em espírito e em verdade, Tu é Soberano, Ele é exaltado” para letras que sempre vêm acompanhadas de expressões como “derrama, meus sonhos, vitória, prosperarei, bênçãos, promessas...”, etc. Note que a preocupação não mais está no “quem é Deus”, mas no “o que Ele pode me dar”, fazendo do homem o centro do louvor, a fim de que a música seja algo agradável primeiramente ao congregado, para depois dirigir-se a Deus (observe como a falta de senso no louvor toma conta da igreja, basta observar as letras que continuamente exigem bênção de Deus, enquanto a igreja fica em sinal de reverência, como se estivesse a adorar.. Uma música lenta, ainda que seja de comunhão, faz com que todos fechem os olhos e adorem – observe a reação da igreja quando canta “somos corpo, e assim bem ajustado, totalmente ligado...” geralmente todos adoram quando na verdade deveriam dizer isto uns aos outros.