24 janeiro 2007

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ OU PELAS OBRAS?

Justificação... Pela fé somente ou por obras? Que dizer a respeito do ensino de Tiago sobre justificação? Estariam certos nossos amigos espíritas, quando dizem que “fora da caridade (colocada aqui como as obras citadas por Tiago) não há salvação? Quando comparamos o que Tiago disse no capítulo 2 de sua carta, dos versos 14 a 26, com o que Paulo ensinou sobre justificação, parece haver uma contradição entre os dois.
E agora? Estariam certos nossos amigos céticos revelando “mais uma” contradição nas Escrituras? Observemos:
Gl. 2:16: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
Vejamos Tiago:
Tg. 2:14-26: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o crêem e estremecem.
Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem obras é morta? Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque?
Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.
Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?
Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."

E então? Estes textos têm quebrado a cabeça de muitos cristãos que crêem na justificação pela fé somente, também têm feito a cabeça de muitos outros que crêem na justificação pelas obras, defendendo que aqui Tiago combate os ensinos de Paulo (também acreditando em ensinos contraditórios na Bíblia ou como sendo o livro de Tiago não canônico) ou, no mínimo, o entendimento de Paulo quanto à justificação; enquanto a outra corrente não crê em uma contradição, e sim que os textos lidam com problemas diferentes.
Como é de comum acordo que Romanos foi escrito depois de Tiago, a solução mais óbvia seria a de que Paulo e Tiago falam de questões diferentes.
O contexto em que Paulo escreve era o do combate ao pensamento de confiar na guarda da lei para salvação; então Paulo ensinava que a pessoa era justificada pela fé à parte das obras da lei – ou seja, uma tentativa de comprar a salvação por meio das próprias obras.
A teologia paulina crê que as obras são uma conseqüência da liberdade conquistada espiritualmente, e não resultado do temor de uma provável punição imposta pela lei, além de uma enganadora promessa de recompensa, obras estas à parte da fé e da graça.
As obras de fé são colocadas por ele como as que são feitas no espírito de liberdade e como sendo resultado direto da ação de Deus na vida dos seus, que foram justificados pela fé, entendendo que as obras da lei em nada contribuem para a justificação, pelo contrário, só vendam o entendimento do indivíduo, não permitindo a este observar-se como um injusto carente de justificação.
Agora observemos o contexto de Tiago: Indo de encontro ao pensamento de que uma crença meramente intelectual nas verdades do Cristianismo era suficiente para a salvação, o mesmo diz: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”(v.14), e já responde: “A fé sem obras é morta” (v.26) Note que as obras sobre as quais Tiago escreve não são as mesmas sobre as quais Paulo comentava, visto que o mesmo quando argumenta, sempre diz “obras da lei” ou “obras de lei”, quando diz que somos justificados não pelas obras (Rm. 3:20,28; Gl. 2:16). Já Tiago, quando fala de obras, as chama somente de “obras”, e não “obras da lei”.
Ao dizer que ninguém pode ser justificado por uma fé que não tem as obras da fé, Tiago está concordando com Paulo.
Mas e os versículos 21 e 24, onde Tiago diz que alguém é justificado pelas obras? Haveria contradição? Observemos aqui o sentido de “justificar”: Ao citar Abraão no versículo 21, o ponto que Tiago enfoca é que “pelas obras, a fé foi aperfeiçoada”; entenda: o ato (ou a obra) de oferecer Isaque revelava que a fé pela qual Abraão havia sido justificado era genuína, era a verdadeira fé.
Ou seja, o texto de Tiago aponta que tais obras são aceitas por Deus, mostrando que suas ações tem o tipo de fé viva à qual Deus imputa justiça... A justificação abordada por Tiago não é a aceitação original por Deus, mas a conseqüência da fé em sua vida, desta forma, tanto Tiago quanto Paulo querem dizer que uma pessoa é justificada pela fé operante, que revela ser verdadeira na obediência ao Pai, mostrada por meio de obras, sendo somente a fé que nos justifica, mas esta mesma fé vem acompanhada das nossas obras.
Enfim... Se você faz obras a fim de conquistar a salvação, ou se você se considera um salvo apesar de ter uma vida que é um lixo espiritualmente falando, como diria nosso Senhor: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. Ops! Digo: “quem tem olhos para ler, LEIA!”

9 comentários:

buuneecaa disse...

saulo,
seu comentário foi fantástico,é muito bom em meio a esse dilema encontrar algo na intert que esclareça tão bem,um assunto que e tão polêmico e questionado!

Anônimo disse...

Querido irmão... é exatamente oque eu defendo e acredito... utimamente um Padre discutiu comigo dizendo que o homem era justificado pela obra somente... e eu o respondi com mansidão e paz.. que aliás é um fruto do espirito...ahushua
vcc pôs de forma satisfatória e esclareceu muito perfeitamente.. obrigado por confirmar issu a mim abraço...

Anônimo disse...

Por que nao:)

Lourdes disse...

Sr.Saulo

Gostei imensamente do comentário.
Estou fazendo um curso na área teológica e preciso de ler para pesquisar sobre trabalhos que tenho que fazer...

Deus continue te abençoando.
Lourdes Portugal

Lourdes disse...

Sr.Saulo

Gostei imensamente do comentário.
Estou fazendo um curso na área teológica e preciso de ler para pesquisar sobre trabalhos que tenho que fazer...

Deus continue te abençoando.
Lourdes Portugal

Lourdes disse...

Sr.Saulo

Gostei imensamente do comentário.
Estou fazendo um curso na área teológica e preciso de ler para pesquisar sobre trabalhos que tenho que fazer...

Deus continue te abençoando.
Lourdes Portugal

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Sr.Saulo

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Estou fazendo um curso na área teológica e preciso de ler para pesquisar sobre trabalhos que tenho que fazer...

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Lourdes Portugal

Marcel Stange disse...

Olha, "A justificação de Paulo é somente pela fé" está incorreto, pois a palavra "somente" não existe nas escrituras originais. A palavra "somente" foi incluída inadvertidamente por Lutero.

Ou seja, "A justificação de Paulo é pela fé".
Com isso eles não entram em contradição.

Ou você acha que o Espírito Santo seria incoerente fazendo 2 apóstolos inspirados por Ele entrarem em contradição? O Espírito Santo é contraditório? Claro que não....

Marcel Stange disse...

É um conjunto, é pela fé E pelas obras. Pois fé sem obras é morta.