05 janeiro 2007

Nossa Atual Laodicéia (parte 1)

Bom, como raramente coloco textos em um lugar que, pela lógica, deveria ter muito o que ler, resolvi aproveitar o que tiver escrito para enviar a este blog, a fim de que ele tenha material para, pelo menos, três minutos de leitura.
Hoje decidi postar um pequeno texto de uma pequena conversa... Há alguns dias (considerando-se que estamos em 04 de janeiro e essa conversa foi dia 25 de dezembro) conversei com um amigo sobre a igreja evangélica no Brasil e seus “impactos” nesta nação. Quando o mesmo começava a exaltar as inúmeras vantagens da multidão protestante no Brasil (se é que o que temos hoje pode ser chamado de protestante, tendo em vista nunca contestar nada que o mundo ou nós mesmos temos feito), passei a mostrar meu ponto de vista (levando em consideração que todo ponto de vista é a vista de um ponto, não coloco a minha como sendo a opinião correta, apenas busquei colocá-la em paralelo com a Bíblia, livro ao qual os evangélicos buscam seguir).
Então, deixando de enrolação e passando para o “vamos-ver”, transcrevi o pequeno estudo que meu amigo (ah, o amigo tem nome: Yuri) pediu para que lhe passasse, sendo este um mini resumo de alguns pontos que discordo na atual igreja (ah, Igrejas Neopentecostais, não se chateiem, mas tive que falar de muita coisa em que vocês crêem).


Para que entendamos a atual situação do evangelho no Brasil (sendo bradado por muitos como tendo conquistado a Nação, que “o Brasil é de Jesus”, “todo mundo tá virando crente”, etc), observemos um texto tantas vezes colocado fora da realidade que o apóstolo quis passar:

Ap. 3:20 : “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei ali, cearei com ele, e ele comigo...”

Cara, eu não sei você, mas EU aprendi que este texto é evangelístico, até já o utilizei bastante para dizer que “Jesus está do lado de fora do seu coração, batendo na porta dele e esperando que você abra (às vezes o povo fica com tanta pena do ‘coitado’ que vai e ‘aceita Jesus’ pra que ele entre e coma, pois, pelo teor da nossa explicação da situação dEle, Ele deve estar com muita fome e solitário, desesperado por amigos)...” Mas minha questão aqui não está no fato de ele estar pedindo para que o descrente abra a porta ou não, mas meu questionamento é: Foi este texto escrito para descentes?
Se o utilizamos para evangelizar, então estamos utilizando para descrentes, se utilizamos para descrentes, o texto deve ser escrito para descrentes, visto que não podemos transmitir a Bíblia como queremos que ela seja, mas como ela de fato é. Ou seja: Não podemos adaptar o texto à nossa vontade (ainda que nossa intenção seja a melhor, como, por exemplo, a conversão do ouvinte), mas este deve ser explicado dentro do seu contexto.
Sim, mas... Voltando à questão: O texto foi escrito para quem? Se você observar na sua Bíblia o título que sobrepõe o início do discurso ao qual o versículo 20 está submetido, notará que o texto está endereçado a uma igreja. Isto lhe diz algo? Se não lhe diz, eu explico: Mano, se o texto está direcionado a uma igreja, ele teve o intuito de admoestar, repreender, aconselhar, consolar, etc, mas não de evangelizar visto que, se é para a igreja, ela já foi evangelizada, compreendeu?
A questão agora é: O que esse texto quer dizer? Bom, se mudamos nosso entendimento sobre a quem é direcionado e partimos da premissa que é voltado à igreja, devemos mudar nossa compreensão sobre este. Mas... Se o texto não é para descrentes, se é para a igreja, qual o sentido de Cristo dizer que está do lado de fora?
Aí é onde está! AGORA entraremos de fato no estudo. A Igreja de Laodicéia, pelo texto, mostra-nos um ESPELHO do que tem sido a atual igreja evangélica no Brasil (não digo no mundo por não conhecer a situação em outros países, mas com certeza a situação não é a mesma nos lugares onde há perseguição ao Evangelho).
A partir de agora, trataremos a atual igreja como Laodicéia, visto serem gêmeas, apesar do tempo que as separa. A Igreja de Laodicéia utiliza na sua liturgia um atributo bem conhecido, o chamado culto antropocêntrico. Observe as características principais:

Culto transferido: O entronizado não é mais Cristo, mas o homem. Como assim?

1• LOUVOR – Em sua maioria, a igreja abandona a adoração e entroniza o homem, saindo do “Em espírito e em verdade, Tu é Soberano, Ele é exaltado” para letras que sempre vêm acompanhadas de expressões como “derrama, meus sonhos, vitória, prosperarei, bênçãos, promessas...”, etc. Note que a preocupação não mais está no “quem é Deus”, mas no “o que Ele pode me dar”, fazendo do homem o centro do louvor, a fim de que a música seja algo agradável primeiramente ao congregado, para depois dirigir-se a Deus (observe como a falta de senso no louvor toma conta da igreja, basta observar as letras que continuamente exigem bênção de Deus, enquanto a igreja fica em sinal de reverência, como se estivesse a adorar.. Uma música lenta, ainda que seja de comunhão, faz com que todos fechem os olhos e adorem – observe a reação da igreja quando canta “somos corpo, e assim bem ajustado, totalmente ligado...” geralmente todos adoram quando na verdade deveriam dizer isto uns aos outros.

Um comentário:

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom