05 janeiro 2007

Nossa Atual Laodicéia (parte 3)

Para tal questionamento ser respondido, vale perguntar: Qual o sentido do louvor? Para obter resposta, leia Hb. 13:15:

"Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam seu nome."

Um costume da atual Laodicéia, como já falei, é entronizar o homem no culto, ou seja, busca-se a igreja a fim de que sejam resolvidos seus problemas, a fim de que se esqueça dos estresses cotidianos, ou seja: A fim de que desopilemos (sobre desopilar, há uma historinha legal logo abaixo). Deste modo, vamos à igreja receber, e não oferecer, contradizendo o texto sagrado.
Mano, o louvor, como explicitado no texto de Hebreus, deve ser oferecendo a Ele, basta observarmos um pouco as letras que temos cantado para notarmos que não temos feito deste modo.

Outra parte do culto atual onde notamos a entronização do homem é na pregação. Quais os últimos temas que você recorda de ter ouvido? Corrija-me se eu estiver errado:
“Como Ser Vitorioso; Alcançando a Promessa; Nossa Herança; Tomando Posse; Saindo da Cisterna e Entrando no Palácio (nome bonito, heim?)” e por aí vai...
O pastor Ricardo Gondim, presidente da Assembléia de Deus BETESDA, quando esteve em Campina Grande em 2004 para o Encontro Nacional Para a Consciência Cristã, contou que, após uma pregação expositiva da Palavra em um culto dominical, uma irmã (com certeza acostumada a ouvir os sermões televisivos cheios de bênçãos e vitórias) foi até ele e reclamou: “pastor, desse jeito não dá, a gente vem pra igreja desopilar, esquecer dos problemas, e o senhor vem com uma pregação só cobrando, falando de tribulação e não-sei-mais-o-quê...”, ao que o pastor abruptamente respondeu: “amada, igreja não é lugar de desopilar, lugar de desopilar é shopping ou cinema, aqui Deus colocou-a para ter comunhão e se alimentar da Bíblia, e me colocou para pregar a Palavra, e farei esta missão, ainda que seja para uma igreja vazia”.

Velhinho, um dos maiores avivamentos da história da Igreja ocorreu nos EUA há aproximadamente dois séculos (aliás... Hoje os EUA sentem saudades do cristianismo real) e foi iniciado por um sujeito (Jonathan Edwards) que não pregou sobre prosperidade, tampouco sobre vitória terrena, mas, pelo contrário, pregou sobre a derrota do homem soberbo diante de Deus, visto que sua multidão de pecados o afastara continuamente da comunhão com Ele. O tema da pregação que mudou boa parte da Europa foi: “Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado”.

Se você observar bem como eram as pregações apostólicas, notará claramente que NUNCA qualquer um destes fala que pobreza é sinal de falta de comunhão, nenhum dos apóstolos menciona o fato de doença ser resultado de pecado (existem casos que sim, mas são exceções, e não regras), até pelo fato de que, aquele que é considerado o maior apóstolo (Paulo) sofria de uma doença que o afligia (provavelmente um problema de visão: ‘2Cor.12:7; At. 23:3,5; Gl. 6:11’), seu discípulo, Timóteo, sofria de males no estômago, estando constantemente enfermo (ITim. 5:23), não se vê relato qualquer na Bíblia de que estes tenham sido resultados de pecado... Ah, pegando um exemplo no Antigo Testamento, vejamos Eliseu.
Elias é conhecido como o homem mais ungido do Antigo Testamento, ressuscitou mortos, curou doenças, fez chover, fez descer fogo do céu, etc... Após sua assunção (ah, ele era tão fiel que, assim como fez com Enoque, Deus o tomou para si), a Bíblia relata que Eliseu recebeu o dobro da sua unção (2Rs. 2:9-11), logo, vemos que o homem não recebeu pouca coisa, heim? Com tanta unção, de acordo com as teologias “laodiceianas” pregadas atualmente, as doenças não chegariam nem na porta do vizinho deste homem, pior ainda na vida dele... É, o complicado é que o sujeito morreu doente, e não foi conseqüência de pecado não, visto que, segundo os pregadores que seguem tal teologia, quando estamos em pecado, Deus tira a mão de sobre nós e deixa de atuar em nossa vida – Se fosse esse o caso, o morto que fora jogado na cova junto a Eliseu não teria ressuscitado (2Rs. 13:20-21)! É, isto mesmo, Eliseu morreu doente, mas o morto que encostou no corpo dele ressuscitou! Estranho, não? Eu acho!

Não quero que me entendas errado, não prego uma vida de derrotas, mas sim uma vida de vitórias, mas as vitórias REALMENTE bíblicas, vitórias contra o pecado e as obras da carne, para isso Cristo nos chamou – Paulo diz em Fp. 4:13 (aliás, versículo altamente incompreendido) que ele conseguia passar POR TODAS as coisas (leia o versículo anterior e verá que ele fala que passou por abundância e por escassez, por saúde e por doença, por perseguição, etc, mas AINDA assim era fortalecido e crescia POR MEIO DISSO) – Podemos ser prósperos? Sim, O que não podemos é discursar que os que assim não são, vivem sob pecado e não estão abençoados pelo Pai; assim, o próprio Jesus andaria em desobediência, visto que “não tinha sequer onde descansar a cabeça”. Também não disse que sejamos doentes, digo que atacar os doentes jogando a culpa na espiritualidade destes, isto, sim, é pecado, pois implica em julgamento, do qual só o Senhor tem autoridade.

O que ataco, e o faço sem temor, é a atual doutrina demoníaca de que Deus é o nosso garçom, serve para nos servir e nós para desfrutarmos de suas benesses... Mano, se a vida terrena tivesse que ser um paraíso, não necessitaríamos de céu.


Espero que tenhas entendido um pouco mais do que tentei transmitir-lhe naquela noite. Apesar de breve e apressado, busquei resumir algumas de minhas “revoltas” com a atual Igreja, ainda faltaram inúmeros pontos, como a questão das maldições, as adorações proféticas, a declaração de posse sobre territórios, etc, mas creio que iniciei o seu processo de busca por um maior engajamento com a Palavra.
Seja um bereano, confira na Bíblia o que lhe dizem e o que digo aqui.
Seja um revoltado, se sua revolta for contra as heresias e o pecado.
Seja um revolucionário, se sua revolução for bíblica, pregando o Cristo e fazendo diferença no meio gospel em que grande parte dos jovens estão inseridos.


SUGESTÕES DE LEITURA:

SUPERCRENTES – Paulo Romeiro
Com Vergonha do Evangelho – John F. MacArtur Jr.
Evangélicos Em Crise – Paulo Romeiro
Somos Deuses? – Jorge Issao Noda
Pregação Cristocêntrica – Bryan Chapell

SUGESTÕES PARA VOCÊ NÃO LER:

Kenneth Hagin, Rebeca Brown, Benny Hinn, Oral e Richard Roberts, Pat Robertson, Paul Crouch, Kenneth Copeland, Francis e Charles Hunter… Ah, e a grande maioria dos campeões de venda das livrarias evangélicas.

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