30 junho 2007

Porcaria de lei


Não, o texto não é meu... Mas diz o que eu penso!






Opinião: Porcaria de lei


Olavo de Carvalho, filósofo


Ilustres senhores parlamentares:

Vossas Excelências podem votar, se quiserem, essa porcaria de lei que proíbe criticar o homossexualismo. Podem votá-la até por unanimidade. Podem votá-la sob os aplausos da Presidência da República, da ONU, do Foro de São Paulo, de George Soros, das fundações internacionais bilionárias, do Jô Soares, do beautiful people inteiro.

Não vou cumpri-la.

Não vou cumpri-la nem hoje, nem amanhã, nem nunca.

Por princípio, não cumpro leis que me proíbam de criticar ou elogiar o que quer que seja. Nem as que me ordenem fazê-lo.

Não creio que haja, entre os céus e a terra, nada que mereça imunidade a priori contra a possibilidade de críticas. Nem reis, nem papas, nem santos, nem sábios, nem profetas reivindicaram jamais um privilégio tão alto. Nem os faraós, nem Júlio César, nem Átila, o huno, nem Gengis Khan ambicionaram tão excelsa prerrogativa. O próprio Deus, quando Jó lhe atirou as recriminações mais medonhas, não tapou a boca do profeta. Ouviu tudo pacientemente e depois respondeu. As únicas criaturas que tentaram vetar de antemão toda crítica possível foram Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao-Tse-Tung e Pol-Pot. Só o que conseguiram com isso foi descer abaixo da animalidade, igualar-se a vampiros e demônios, tornar-se alvos da repulsa universal.

Nada é incriticável. Quanto mais o simples gostinho que algumas pessoas têm de fazer certas coisas na cama.

Nunca na minha vida parei para pensar se havia algo de errado no homossexualismo. Agora estou começando a desconfiar que há. Nenhuma coisa certa, nenhuma coisa boa, nenhuma coisa limpa necessita se esconder por trás de uma lei hedionda que criminaliza opiniões. Quem está de boa intenção recebe críticas sem medo, porque sabe que é capaz de respondê-las no campo da razão, talvez até de humilhar o adversário com a prova da sua ignorância e má-fé. Só quem sabe que está errado precisa se proteger dos críticos com uma armadura jurídica que aliás o desmascara mais do que nenhum deles jamais poderia fazê-lo. Só quem não tem o que responder pode pedir socorro ao aparato repressivo do Estado para fugir da discussão. E quanto mais se esconde, mais põe sua fraqueza à mostra.

Sim, senhores. Nunca, ao longo dos séculos, alguém rebaixou, humilhou, desmascarou e escarneceu da comunidade gay como Vossas Excelências estão em vias de fazer.

As pessoas podem ter acusado os homossexuais de fingidos, de ridículos, de tarados, de pecadores. Ninguém jamais os qualificou de tiranos, de nazistas, de inimigos da liberdade, de opressores da espécie humana. Vossas Excelências vão dar a eles, numa só canetada, todas essas lindas qualidades.
Depois não reclamem quando aqueles a quem essa lei estúpida jura proteger se tornarem objeto de temor e ódio gerais, como acontece a todos os que tomam de seus desafetos o direito à palavra.

Quem, aprovada a PLC 122/ 06, se sentirá à vontade para conversar com pessoas que podem mandá-lo para a cadeia à primeira palavrinha desagradável? Os homossexuais nunca foram discriminados como dizem que o são. Graças a Vossas Excelências, serão evitados como a peste.

FONTE: http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/05/24/pais20070524013.html

22 junho 2007

Apocalipse: capítulo quatorze, versículo três

Estamos estudando o livro de Apocalipse nos cultos de doutrina... Há aproximadamente cinco meses que a igreja escuta toda quarta-feira sobre o fim dos tempos. Nesses cinco meses, fui no máximo duas vezes ao estudo sobre Apocalipse. Não por não gostar do livro, não por temer ouvir as histórias ali contidas e perder o sono ao lembrar da batalha do Armagedom, não pela complicação das simbologias ali descritas (até pelo fato de meu pastor facilitar por demais o entendimento), mas simplesmente por que toda quarta-feira eu tenho aula na Universidade – Prática de Ensino – “como dar aula” – “como preparar aulas” – “como fazer os alunos de Ensino Fundamental, Médio e afins gostarem de História”... Pois é, devido à Prática de Ensino, fui apenas duas vezes ao culto de doutrina das quartas-feiras na minha igreja Batista.
Férias – Prática de Ensino concluída (depois de muito choro e ranger de dentes) e finalmente... Culto de doutrina! Agora sim, poderia participar de um estudo onde o Livro de Apocalipse seria desvendado capítulo por capítulo, a partir do décimo quarto, eu passaria a entender melhor o Livro. Hum... Mas... Décimo quarto capítulo?!? Ora... Já??? Apesar da desmotivação, decidi (puxado pela namorada) assistir ao estudo. A desmotivação viria pelo fato de que eu cria que, como já perdera treze capítulos, o assunto ficaria “meio pela metade”, tendo em vista que Apocalipse já não é lá essa coisa tão simples de compreender, ainda mais perdendo o começo da história.
Pra ser sincero (parece início de música), a maior desmotivação veio do momento que estou vivendo, que é o que liga o título do texto à minha narrativa sem graça (vai dizer que você leu até aqui e não pensou: “o que tem a ver esse título com a história dele?”). O momento que estou vivendo é especial e há uma palavra que o resume: tribulação!
É, estou passando de novo por ela, a mal recebida, a odiada, mas sempre lembrada como parceira de crescimento: a tribulação nossa de cada dia. Louvo ao Pai pelo fato de minhas tribulações geralmente serem ligadas à área financeira (ainda bem que não se tratam de doenças, morte, seqüestros, etc) e ainda bem que novamente é esse o motivo da minha luta.
O fato é que essa danada me deixou por demais cabisbaixo, com o coração triste e desmotivado; faltou o “quê” de alegria que quem me conhece sabe que é a marca registrada. Fui ao culto acompanhado por minha namorada, companheira fiel em momentos bons e momentos como este, não só para me animar, mas também pelo desejo de aprender mais acerca do Livro.
Todo culto tem louvor antes do estudo, e o chato pra quem está desmotivado e atribulado é o ministro fazer aquilo que quem está animado gosta e quem está desanimado foge: “vamos todos ficar de pé, louvemos ao Senhor pelas bênçãos dele em nossas vidas, pois sua alegria nos fortalece!”. Se já é chato passar por tribulação, imagina agradecer a Deus por Ele permitir essas tribulações... Eu, heim... Bem que muita gente fala que crente é bicho meio sem noção das coisas.
Após alguns minutos agradecendo a Deus pelo que Ele havia feito em minha vida (se bem que lá no fundo eu preferia dizer “não quero isso não, muito obrigado”), chega a bendita hora do estudo de Apocalipse, e minha mente já dizia: “vou pegar um estudo pela metade de um assunto que no momento não me interessa...” – E lá vamos nós para o capítulo quatorze de Apocalipse.
Depois da leitura e das explicações iniciais, chegamos ao versículo que me “reboliçou” (pronto, taí uma nova palavra): v.03: “E cantavam um como cântico novo diante do trono e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém poderia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra”. Após algumas explicações escatológicas que não cabem aqui, veio o que de fato me interessou, quando o pastor falou que somente os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados entendiam a música que cantavam... Eles vinham da tribulação... Só eles entendiam... Hã? O pastor pergunta: “sabe aquela música que para os outros é indiferente, mas para você fala muito? Ora, somente os cento e quarenta e quatro mil entendiam por que só eles haviam passado por aquilo, só fazia sentido para eles!” continua: “existem momentos que passamos por situações que pregações, louvores, imagens só fazem sentido para nós, pois somente nós sabemos o que foi passar por aquilo, e parece que Deus vem diretamente a nós e fala conosco, então dizemos: ‘é, isso é pra mim’”. Bom, depois dali Apocalipse capítulo quatorze começava a fazer mais sentido para mim... A pregação foi direcionada a outro tema: tribulações!
Qual o real sentido das tribulações? Por que nosso Pai permite que seus filhos passem por momentos em que muitas vezes olha-se para o lado e não há perspectiva de mudança? Exatamente por isso! Muitas vezes nós precisamos ter a certeza que não há mais saída para então colocarmos toda nossa confiança no autor e consumador da nossa fé. Quando estamos passando por tribulações e vemos inúmeras portas diante de nós, o natural é irmos rapidamente (para que saiamos logo da situação) em direção a uma destas e abrirmos a porta, afinal, somos brasileiros, não desistimos nunca e há muitas opções de saída.
A questão está aqui... Quando há portas diante de nós, não necessitamos de ajuda extra, basta que nós mesmos estendamos a mão à maçaneta e a movimentemos de maneira que a porta se abra. Por outro lado, quando não temos a porta, a situação muda, e é exatamente aqui que Deus entra na história. Tribulação serve a isto: termos a certeza que dependemos de Deus, tão somente dele, fazendo cair por terra a auto-suficiência, a crença na própria força para sair de determinado lugar.
Certo irmão a quem amo muito, diácono da minha antiga igreja (Hilário... Homem santo que não deixa de ser fiel ao nome: hilariante!) costumava dizer: “Saulo, quando sua vida estiver numa reta constante, sem lutas... cuidado, pois vida de crente é pra ter lutas, pois o lombo dói, mas o “nego” cresce em intimidade com Papai do céu”. É, Hilário não falava de algo novo, sempre que lembrava as suas palavras, me reportava a Pedro, que inspirado pelo Santo Espírito escrevia em sua primeira epístola: “...em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco tempo contristados com várias provações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Cristo Jesus.” (1:6-7).
Não há nada que faça um servo crescer mais que a tal da tribulação, é sem dúvida um meio que nosso Pai usa a fim de nos transferir muitas vezes do leite ao alimento sólido, do “engatinhar” ao “andar sem o auxílio de outrem”. Porém, muitas vezes nosso Pai, que, sendo santo, é também justo, age de forma a nos deixar em situações que nada mais são que reflexos das nossas atitudes, conseqüências de erros cometidos. Para todo pecado há uma conseqüência, muitas vezes revelada na tribulação; ou vai agora um indivíduo fazer comprar que não pode pagar e, com cobradores à porta, dizer “minha fé está sendo provada, o servo tem que ser perseguido, pois o mundo em trevas não suporta a luz que irradia dos que servem ao deus todo-poderoso!” o mesmo Pedro no capítulo quatro adverte aos que não sabem administrar as finanças ou mesmo aos “sabichões” de plantão: “ninguém sofra como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas se padece como cristão, não se envergonhe...” (v.15-16a).
Sendo assim, se algum irmão apressado engravidar a namorada, não venha dizer: “isso é perseguição do inimigo para que nós enfraqueçamos na fé, pois quem é servo é perseguido pelo diabo”. Não, colega, isso é conseqüência de pecado mesmo, tem muito mais a ver com você do que com o diabo... Nós e nossa mania de jogarmos tudo nas costas do adversário, enquanto os “pobres atacados” se banham no lamaçal do pecado usando a perseguição à igreja como escudo. Como o mesmo texto acima frisa, tribulação não deve ser ocasionada por pecado, tampouco motivo para vergonha; oremos a fim de que tenhamos sabedoria para sabermos como caminhar por ela absorvendo o crescimento que esta traz à nossa vida – crescimento lançado a nós por meio das tribulações, pois “pra mim tenho por certo que as tribulações deste tempo presente não podem se comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm. 8:18).

07 junho 2007

Verdadeiro Ou Apenas Nominal?

"aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou" (1 João 2:6).

Um fenômeno interessante tem acontecido em nossa sociedade. Existe grande interesse na salvação mas pouco interesse na vida cristã. A frequência aos cultos de final de semana é excelente. Existem mais homens, mulheres e crianças comparecendo aos templos nos finais de semana do que em qualquer outra época de nossa história. Porém, os padrões morais são cada vez piores.
Muitos dos que vão, hoje, aos cultos são adúlteros, alcoólatras, viciados que apostam todo o salário, praticantes de aborto e até os que abusam de crianças. Qual o problema atual? Em uma recente classe bíblica, o professor pode ter nos dado a resposta para o que está acontecendo. Ele declarou: "As pessoas, hoje, desejam muito mais 'ganhar a salvação' do que 'comportar-se como salvos.'" Ele se referiu a este conflito como "justificação versus santificação.".
O que tem tocado, verdadeiramente, os nossos corações? Estamos satisfeitos por frequentar uma igreja, sermos cumprimentados como irmãos e ter uma carteira de membro de uma entidade religiosa, ou o nosso propósito é viver como Cristo nos ensinou a viver, para ter uma vida que glorifica o nome do Senhor, que brilha mesmo diante das trevas que assolam o mundo e que serve de testemunho para a salvação também de outros? Temos estado conscientes de que um verdadeiro cristão precisa ter um comportamento diferente na sociedade, mostrar que a velha natureza, carnal e pecadora, tem que ser deixada para trás e que deve apresentar frutos de transformação e vida santa?
Se temos o hábito de ir aos cultos, cantar belos hinos, orar com eloquência, mas continuamos praticando os mesmos pecados da velha vida, em vez de estarmos caminhando com Cristo para a salvação, servimos de pedra de tropeço para os que estão ao nosso redor e, além de perdidos, estamos conduzindo muitos à perdição.
E você, conforma-se em ser membro de uma igreja ou está buscando ser uma bênção na obra de Deus?
Pr. Paulo Roberto Barbosa