29 agosto 2008

Da verdade à burrice gospel

Composição: Mark Hall / VERSAO: PG

Quem sou eu?
Pra que o Deus de toda terra
Se preocupe com meu nome
Se preocupe com minha dor

Quem sou eu?
Pra que a Estrela da manhã
Ilumine o caminho
Deste duro coração

Não apenas por quem sou
Mas porque Tu és fiel
Nem por tudo o que eu faça
Mas por tudo o que Tu és

Eu sou como um vento passageiro
Que aparece e vai embora
Como onda no oceano
Assim como o vapor

E ainda escutas quando eu chamo
Me sustentas quando eu clamo
Me dizendo quem eu sou

Eu sou teu
Eu sou teu

Quem sou eu?
Pra ser visto com amor
Mesmo em meio ao pecado
Tu me fazes levantar

Quem sou eu?
Pra que a voz que acalma o mar
E acaba com a tormenta
Que se faz dentro de mim


Em meio ao lixo musical que vemos no meio dito gospel, me deparei com esta música tão bem escrita por Mark Hall e muito bem interpretada por P.G., "roqueiro" evangélico tão discriminado pelos "ortodoxos" devido ao seu estilo.
O que me surpreendeu foi a verdade bíblica exposta de forma tão veemente pelo autor, que em poucas linhas apresenta-nos uma verdade tão sublime ao mesmo tempo tão complexa: como pode um Deus tão perfeito, puro e reto atentar para míseros pecadores como nós?
Como pode Deus tão grandioso, eterno, soberano e poderoso escutar orações de seres tão insignificantes, tão podres como nós?
Misericórdia e Graça... A explicação complexa mescla as duas palavras: um Deus soberano tem o seu coração tocado por criaturas miseráveis como nós, desta forma derrama Sua Graça - favor imerecido e perfeito dEle, que se por um único momento tirar os olhos de nós, seremos destruídos por aquilo que criamos.
O que me inquieta é que, vislumbrando letra tão edificante, irrito-me ao analisar as "pérolas" que ouvimos nos rincões "gospel's" Brasil afora... Seria cômico se não fosse trágico, mas cada dia que passa dou risada e ao mesmo tempo tenho medo do que temos ouvido sendo cantado pelos irmãos nas nossas congregações ou ajuntamentos evangélicos do Brasil.
Não vou entrar no mérito do teor teológico das músicas (aliás.. Existe algo de teologia na maioria das músicas “gospels” de hoje?), quero apenas atentar para a criatividade dos nossos ministros de louvor.
Como diria o nosso irmão José Barbosa Jr no seu blog, parece que estamos passando por um grande deserto, uma grande estiagem, pois só isso explica a quantidade de músicas pedindo chuva. Faz chover, derrama tua chuva, vem com tua nuvem, abre as comportas do céu, chuva de avivamento.
Por outro lado, não satisfeitos com a quantidade de água derramada e parecendo meninos indecisos, pedimos fogo! Grande parte das músicas evangélicas fala de fogo como sendo algo bom, batendo de frente com a Bíblia, que sempre relaciona o fogo ao juízo ou destruição.
Também extremamente irritante (e concordando novamente com meu irmão J. Barbosa), são as constantes pregações dos “levitas” entre as músicas. Não bastasse a sensualidade da ministração "adoradora" de algumas "divas" da música gospel (talvez ligada ao "abraço, beijo, colo...) e o drama dos choros "valadoadores", surge a voz ofegante dos “Quinlans e Fernandinhos”. A impressão é que (empolgados pelo recente “espírito” olímpico), depois de muita correria os cantores já entraram suados na música, gritando quase sem voz (exemplo da participação de Fernandinho no álbum de 35 anos de Adhemar de Campos, que durante todo a música só grita quase sem fôlego, abandonando a letra do pobre Adhemar...)
Nas nossas músicas, quando não chove fica nublado. É só observar o "mói" de nuvens nas letras. Como diria um pregador e blogueiro: "as nuvens de glória nem deixam o sol da justiça brilhar, esse é o problema. Aliás, nuvem de glória não, shekiná (esqueci que tudo agora tem que ser em hebraico). Shekiná prali, Shekiná pra lá, nuvem, peso de glória, nuvem carregada. Sai de baixo... vem temporal aí!”
Grande solução de vendas e grande problema teológico são as exposições “enamoradas”, o romanceio servo X Cristo, esbanjando erotismo nas letras (bem propício para uma ‘noiva’ à espera da lua-de-mel). É um tal de “quero teu colo”, “teu carinho”, “quero te beijar, te abraçar”... E refaço a pergunta lançada por alguns mais antenados: Quem seqüestrou a noiva??? A noiva está sendo preparada ou está em cativeiro??? Com tanto clamor pro noivo vir resgatar a noiva, será que o G.O.E. gospel resolve? E olhe que o que foi divulgado na Bíblia é que esta estava sendo purificada para as Bodas do Cordeiro... Ainda que muitos divulguem que ela está dominada pelas hostes de Satã, clamando o resgate!
Como um pastor já dizia também em um blog: “Com tantos cânticos pedindo “libertação” e “cura” para os que já foram salvos, parece difícil crer que a liberdade conquistada na cruz é suficiente, que o sacrifício ÚNICO de Jesus basta para me libertar. Nada disso! Todo culto eu tenho que clamar: “Vem me libertar”, “Quebra minhas cadeias”, “Enche meu coração vazio”, “Liberta-me Senhor”. E eu pensando que “se, pois, o FILHO vos libertar, VERDADEIRAMENTE SEREIS LIVRES”. Que bobagem a minha..."
Que Ele, que ainda tem misericórdia, nos oriente a fim de que possamos DE FATO adorar em espírito e em verdade.. OFERECENDO a Ele e não só clamando receber (Hb 13:15).

MUITO do escrito aqui também foi extraído do blog do pastor José Barbosa Jr