09 setembro 2008

Última chance?

Olá, pessoas!

Após uma conversa via e-mail sobre relacionamento com irmãos, decidi enviar um contando minha história de relacionamento com meu irmão. Segue abaixo:
Convivência com irmãos é algo complicado; se não colocarmos o Evangelho à frente, corremos o risco de testemunharmos muito pouco do Cristo em nós.
Até os meus dezessete anos, a pessoa que mais passou tempo ao meu lado foi meu irmão (um ano mais velho que eu) - Estudávamos na mesma escola, dormíamos no mesmo quarto, andávamos com os mesmos amigos e por aí vai...
O lance é que, como todo irmão, discutíamos muito... Amávamos-nos, sem dúvida, mas NUNCA (eu disse NUNCA) chegamos a dizer um para o outro: "eu te amo"... Saca aquela coisa de: "não, ele sabe, que o amo, eu não preciso dizer não"? Pois é!
A questão é que me converti... Como convertido, nova criatura, comecei a sentir o peso de mostrar a diferença, o peso de ser exemplo, o peso de "negar-me a mim mesmo" e sabia que meu Pai Soberano queria que eu abrisse um pouco mais mão das minhas vontades e demonstrasse mais o que Cristo faria.
Em dois anos de Evangelho, continuei sem demonstrar (em palavras) meu amor para com ele, de forma que continuava a me fechar no meu mundo, aconselhando muitos a jogar por terra a timidez e lutar pela restauração de um relacionamento firmado pelo Pai - quando EU MESMO não o fazia.
Exatamente dois anos depois da conversão, durante um Encontro de jovens, eu falei: "Deus, dessa vez eu vou abrir mão das minhas vontades... Quando eu chegar em casa eu abraço meu irmão e digo a ele que o amo, independente da sua reação!". Isso foi no dia 31 de outubro de 1998, um sábado.
Quando cheguei em casa, meu irmão tinha saído. Eu poderia esperar ele voltar, mas no meu coração me alegrei em não ter que fazer aquilo - e dessa vez a culpa não tinha sido minha, pois a "vontade" eu tive, mas ele não estava lá... Quem manda não estar na hora?
Minha parte eu já fiz!!! De fato - deitei logo pra evitar que eu estivesse acordado quando ele chegasse, assim no outro dia de manhã logo cedo eu sairia pra o EJC de novo, ele ainda estaria dormindo e eu poderia adiar mais um pouco aquilo, já que, como eu já disse: "minha parte eu já fiz - se ele não está em casa o problema não é meu!". E dormi...
É ruim quando acordamos de madrugada sendo despertados por alguém, não? Bom - Imaginem a situação de acordar de madrugada com sua mãe chorando e dizendo: "acorda, Saulo - Daniel bateu o carro!".
Eram 03:30h do domingo, 01 de novembro de 1998 - e essas datas geralmente nunca mais saem da nossa mente.
Meu irmão virara o carro após uma derrapagem em uma curva - Meu irmão estava em coma - Minha família angustiada, mas Eu tinha uma certeza: ELE NÃO VAI MORRER, POIS EU FIZ UM PROPÓSITO COM DEUS E SEI QUE MEU IRMÃO SÓ MORRE DEPOIS QUE EU PEDIR PERDÃO PELA FORMA QUE O TRATEI E DISSER QUE O AMO!!!
Bom, como Deus é um Deus de milagres, realmente o negócio parecia correr pra onde eu pensava, pois apesar dos médicos darem poucas horas de vida tevido ao trauma no crânio, ele agüentava cada dia demonstrando o que Deus faria, e NAQUELES DIAS EU TIVE FÉ NO REAL SENTIDO DA PALAVRA.
Meu irmão ficou cinco dias em coma, e eu era a ÚNICA pessoa que acreditava que ele sobreviveria, e quando digo acreditar não é aquela mera fé de: "oh, Deus, faça algo, eu sei que tu podes!". Não, eu dizia em meu coração: "Deus, muito obrigado, pois meu irmão ficará vivo e eu cumprirei minha promessa contigo!".
Quando eu sabia que o quadro clínico piorava, eu subia para a U.T.I e ficava olhando pelo vidro, pois eu sabia que se fosse pra ele morrer antes disso ele abriria os olhos e eu o veria, então eu colocaria toda aquela indumentária típica de U.T.I. (touca, máscara, touca pra cobrir os pés...) entraria na sala, diria pra ele o que eu prometera e depois ele morreria.
Todos sabiam o propósito de Deus. Eu não acreditava nisso, eu acreditava que Deus seria misericordioso, seria bondoso, seria DEUS, e que se quisesse levar meu irmão deixaria pelo menos eu dizer o que queria para o meu irmão antes dele partir.
Na madrugada do dia 5 de novembro eu estava no Hospital Santo Inácio, em Juazeiro do Norte, no Ceará, em um jardim do prédio, juntamente com dois amigos: um chamado Marcol e outro chamado Samyr, e conversávamos sobre esses milagres que Deus poderia fazer pelos seus. De repente acaba a energia do hospital... Subo até a U.T.I e, para a minha surpresa: O gerador não liga!
Pra resumir a história, depois de uns dez minutos de falta de energia elétrica, aparelhos desligados e médicos tentando a respiração manual, surge um enfermeiro e pergunta quem da família estava ali - E meu mundo desabou!
Minha maior angústia era: QUAL A RAZÃO PELA QUAL DEUS NÃO ME DEIXOU FALAR O QUE EU QUERIA PARA O MEU IRMÃO? Como pode um Deus tão carrasco assim? Deus não podia simplesmente me deixar falar com ele e em seguida fazê-lo partir?
Pois bem... Depois de alguns anos de "revolta" (que eu chamaria mais de incompreensão), Deus me respondeu: VOCÊ JÁ TEVE SUAS CHANCES E DESPERDIÇOU!
Eu tive minha chance todas as vezes em que, chegando "edificado" da igreja, ignorei-o... Eu tive minha chance nas incontáveis caronas que eu pegava com ele e íamos sozinhos da escola até nossa casa e esse percurso durava mais de meia hora...Tive minha chance todas as vezes em que cheguei em casa com a Bíblia embaixo do braço e ele estava assistindo TV...
Enfim... Chances não faltaram - eu não quis seguir o tempo de Deus, quis fazer o MEU PRÓPRIO TEMPO - E deixei de ser abençoado pelo orgulho de não dizer um "te amo, mano!"
Nossa última chance pode ser agora!
Ah... Essa historiazinha não é mais um e-mail daqueles que encaminham para você - Essa é a história de Saulo Ribeiro, irmão de Daniel Ribeiro - Dois irmãos que se amavam - e esqueceram de dizer isso um ao outro devido aos corações pecadores e orgulhosos de ambos!
Que o Senhor dos que são aqui e dos que são na Eternidade nos abençoe!