04 outubro 2008

SE NÃO TIVESSE AMOR...

Certa vez, após uma palestra sobre ação social, liderei um grupo cuja finalidade era justamente discutir o papel do cristão ante a problemática dos marginalizados, dos excluídos da sociedade. O problema é que, buscando aprofundamento, surge uma polêmica (parece que a regra é: tudo que é aprofundado será polemizado): dar ou não dar esmolas?
Grupo dividido, opiniões cruzadas, defesas, ataques, farisaísmo e demagogia expressos, jogo a pergunta: “Qual o posicionamento de Cristo diante dos marginalizados? O que Ele faria e fez em relação aos que a sociedade rejeita e rejeitou na sua época? Cristo daria esmolas?” Silêncio... Dúvidas... Cochichos...
Nosso grande problema é que, travestidos de uma “preocupação com o outro”, muitas vezes colocamos pra fora nossa “caridade” simplesmente buscando nos livrar da perturbação de um pedinte no nosso pé.
Nunca aconteceu com você de, saindo de uma lanchonete, por exemplo, surgir um garoto estendendo a mão e você, simplesmente pra não ter que inventar uma desculpa ou por medo da reação dele, jogar uns quinze centavos (preferencialmente em três moedas de cinco) na mão do carinha? Nunca aconteceu com você de, diante de uma pretendente a namorada, deixar o garoto levar o resto da coca que sobrou na garrafa que ele pediu? Nunca aconteceu com você de, após ver uma palestra ou um vídeo sobre os famintos africanos, se imaginar como um revolucionário que, disposto a lutar pelos pobres, resolve separar 3% do seu salário e comprar algum mantimento para alguma família pobre e depois sair contando para alguns? Caso nunca tenha acontecido, parabéns... Comigo já (pelo menos uma dessas alternativas)!
Voltando à última pergunta que fiz ao meu grupo, questiono aqui: Jesus deu esmolas? Bom, se deu, pelo menos não aparece nada relatado nas Escrituras. “Tá, tudo bem, Saulo, você ta querendo dizer que é errado dar esmolas? Que Jesus não daria esmolas hoje em dia?” Não... O que estou dizendo é que Jesus foi além.
Acho muito pouco provável que a preocupação de Cristo fosse as esmolas ou as ações em si, mas principalmente NOSSA VISÃO em relação aos marginalizados. Torno a dizer: Jesus foi além... JESUS AMOU os marginalizados!
Diferente da grande maioria dos que bradam o amor de Deus, Cristo de fato viveu esse amor quando andou com as prostitutas, quando conversou com os rejeitados, quando comeu com os pecadores... Jesus, Diferente de muitos de nós, nunca se colocou como superior aos esquecidos (ainda que tivesse o atributo de ser o ÚNICO superior aos esquecidos e aos “lembrados”).
O que eu tenho feito pelas centenas de mulheres nas esquinas das grandes e pequenas cidades, esperando algum pervertido sexual para que no fim da noite leve algum trocado para ter o que comer? O que eu tenho feito pelo dependente químico que, enquanto muitos o chamam de safado, sofre buscando se livrar da escravidão do crack? O que eu tenho feito pelo menino de rua, sem família, sem presente e sem perspectiva de futuro? O que eu tenho feito pelos idosos que, depois de uma vida inteira de luta e trabalho, se vêem jogados pelos próprios filhos em asilos imundos à espera da morte? O que eu tenho feito pelos injustiçados, pelos marginalizados, pelos enfermos, pelos abandonados, pelos que “não são”?
Orações, súplicas, comunhão, adoração, louvor, palavra, AÇÃO... Sem amor genuíno... NÃO VALE NADA!

Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.” 1Pe.4:8
Que Ele, que me amou, que me ama e que nunca deixará de me amar... Que Ele, que amou, que ama e que nunca deixará de amar aqueles a quem AINDA não amo, nos abençoe!