06 julho 2015

Intimidade



      Em Gn. 22 a Palavra nos mostra uma incrível história de fidelidade e confiança no Senhor, é a história de Abraão e seu filho Isaque. O maior desejo daquele homem era ter um filho e, apesar da sua idade, Deus promete a ele que lhe daria, que dali surgiriam nações. 
        Nos coloquemos no lugar de Abraão nos dias de hoje: Você tem uns 70 anos, está cansado e sabe que não há mais condições de gerar o seu sonho, mas Deus promete. Agora imagine que anos depois, você mais velho ainda, nota algo impressionante: ESTAMOS GRÁVIDOS! O sonho torna-se realidade, a desesperança transforma-se em incontido riso, a sensação de esquecimento vira júbilo. O presente chegou! Há razão para investir as forças em alguém! 
       Mais uma vez te convido a visualizar a situação: O que eu tenho de mais precioso? O que para mim é o meu motivo de alegria? O que mais importa para mim? Em que eu invisto meu futuro? Quais meus planos? No caso de Abraão, sua expectativa, seus planos, sua energia... Todo o seu ser voltara-se para sua tão esperada promessa: seu filho! Afinal, tanta espera deveria ser revertida em tempo aproveitado com a sua promessa! 
       O problema é quando Deus pede para si o que temos de mais precioso. E Deus pede a Abraão sua tão esperada promessa, o que o motivava a ainda ter expectativa de futuro. Nos coloquemos no lugar de Abraão: E agora? Deus pede de volta algo que Abraão considerava tão seu... E Abraão, obediente, sobe com o seu Isaque para o monte a fim de devolver a Deus o que Ele lhe dera, mas pedira de volta! Imagine o sentimento de pai ao ouvir seu filho perguntando: "pai, cadê o sacrifício?" (Gn. 22:7). Imaginemos as lágrimas, o sentimento de perda. Não, não dá para imaginar, a não ser que você já tenha tido a sensação de saber que o seu filho morreria momentos antes dessa morte. 
      É praticamente impossível saber o que Abraão sentia. Porém, naquele momento a história se reverteu e Deus devolveu a Abraão o seu filho. Deus nos mostra a obediência de Abraão, pois a fé de Abraão estava direcionada a algo: O meu bem mais precioso não é terreno, por maior amor que eu tenha por ele... meu maior bem está na intimidade com o meu Criador! 
       O Senhor nesta história nos mostra o valor da obediência e da fé, nos mostra que o valor mais alto é o daquilo que não podemos ver. Volto a perguntar: Quais têm sido nossas prioridades? Nossas atitudes são coerentes com a Sua Palavra? Tenho sido o dono das minhas atitudes, das minhas decisões? 

        Leia agora Lc. 23. Tudo agora é diferente: o ambiente, o indivíduo, as companhias. No primeiro momento, tínhamos um filho prestes a ter o sangue derramado, então ali vêem um cordeiro amarrado pronto para o sacrifício e o filho então é liberto para viver. No segundo texto, o monte não é o Moriá. O calvário amedrontava os malfeitores, mas um inocente, a fim de que vários culpados não fossem condenados, resolve se entregar. O cordeiro com defeito (eu e você) escapa, a fim de que o cordeiro sem mancha (Jesus) derrame o seu sangue. E o pior: Eu mesmo enfiei o cutelo nele, rasgando sua carne - sem a tristeza que Abraão faria com seu filho por obediência a Deus. Eu não, eu rasgo sua carne por obediência à minha carne, aos meus desejos, às minhas vontades. De fato, no Calvário Ele se entrega por mim e por você - Há ainda algo o que falar? 
        Senhor, perdão pelo que sou, ajuda-me a andar conforme teu Filho. Obrigado pelo privilégio de ter a tua presença sempre que a busco, apesar de fazê-lo tão poucas vezes; obrigado pelo perdão nem sempre pedido; obrigado pelas bênçãos não merecidas, obrigado pelos que passaram e não valorizei, pelos que estão hoje e a quem por tantas vezes desconsidero... Obrigado por tudo, mas principalmente pelo inacreditável, pela loucura da cruz, pelos cravos, pela dor, pelo sangue. Obrigado pelo precioso sangue derramado pelo miserável pecador! Nos dá forças para sermos portadores do maior milagre que a humanidade já presenciou: a morte do Filho para a vida dos seus, e a ressurreição do Filho para vergonha de satanás! A ti a glória!


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